Autor: Celsio Alegria, 10º C
Talvez o título não seja o mais acertado. Admitimos mesmo que é uma hipérbole. Mas assim teve de ser para conquistar o caro leitor.
A grande verdade é que podemos dizer que a costa portuguesa não foi cortada com uma tesoura de biquinhos, daquelas que usamos na primária para fazer recortes todos bonitinhos. Enquanto este litoral português se formava, alguns “tremores” foram ocorrendo e algumas imperfeições, ou talvez grandes perfeições, foram-se criando.
O litoral português e a sua linha de costa são marcadamente retilíneos. Mas o mar decidiu que não tinha de ser assim, não tinha de ser totalmente liso e, por isso mesmo, como agente modelador da linha de costa devido à sua ação erosiva, criou os acidentes naturais do litoral.
Assim, seja através de reentrâncias, como as baías e os estuários, resultantes de antigos avanços do mar, ou através de saliências, como os cabos, diretamente ligados à costa de arriba, resultantes de antigas regressões do mar e de formações geológicas mais resistentes à erosão, o litoral português ganhou formas únicas.
Então, não percamos tempo e comecemos a descobrir o nosso território e o seu litoral!
Comecemos, obviamente, pelo Norte Litoral de Portugal, mais concretamente pelo Haff-Delta de Aveiro. O Delta de Aveiro é uma formação lagunar pouco profunda que resulta da regressão do oceano, da acumulação de sedimentos transportados pelo rio Vouga e da deposição de areias pelas correntes marítimas. Estas areias foram formando as restingas, ou cabedelos, depósitos arenosos de pequenas dimensões ligados a uma margem do rio.
Ainda hoje, é na Ria de Aveiro e neste delta que muitos turistas, e até nacionais, passeiam de moliceiro e, no fim, comem os famosos ovos moles. É um acidente natural, mas convenhamos que não é um acidente económico.
Indo agora um pouco mais para sul, encontramos uma pequena baía com uma estreita abertura para o oceano, limitada por vertentes abruptas. Resultou de uma vasta baía cujas dimensões foram sendo reduzidas ao longo do tempo devido à acumulação de sedimentos marinhos. Tem o formato de uma concha. Falamos da Concha de São Martinho do Porto.
Descendo ainda mais pelo litoral português, chegamos ao tômbolo de Peniche, talvez o acidente litoral mais conhecido no país como sendo o Cabo Carvoeiro. O tômbolo de Peniche formou-se pela ligação da antiga ilha de Peniche ao continente, através da acumulação de sedimentos arenosos transportados pelas correntes marítimas.
Outros dos acidentes litorais importantes são o estuário do Tejo e o estuário do Sado, onde desaguam, respetivamente, os rios Tejo e Sado. Ambos resultaram da acumulação de sedimentos na parte terminal dos rios que lhes dão nome. Destacam-se como dos principais acidentes da costa portuguesa, não só pela sua dimensão, mas também pela sua riqueza ecológica, tanto ao nível da fauna e da flora como da produtividade agrícola e aquícola.
Chegámos ao último destino desta viagem: o cabo de Santa Maria e o seu acidente natural do litoral, conhecido como Lido de Faro. Trata-se de uma área lagunar constituída por numerosas pequenas ilhotas arenosas, rodeadas por extensos cordões de areia e atravessadas por canais que permitem a ligação ao mar.
Apesar de Portugal parecer ter sido cortado a direito, a tesourinha do mar criou estas irregularidades (reentrâncias e saliências) típicas do nosso país, hoje reconhecidas tanto pelo seu valor turístico como pelo seu interesse geográfico.
Haff-Delta de Aveiro / Ria de Aveiro

Concha de São Martinho do Porto

Tombolo de Peniche

Estuários

Lido de Faro
